lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

JUVENILIA

neste #álbumaberto lucas sant'ana nos conta os desafios e os dilemas em habitar são paulo. embarque conosco no dia-a-dia do fotógrafo, entre as pessoas e os prédios que o cercam.

com vocês, lucas:

as pessoas demoram anos e anos para descobrirem o que querem ser. você, no entanto, atua desde os 16 anos como fotógrafo freelancer. como você descobriu a fotografia? e mais, quando?

 

lucas sant'ana - a fotografia sempre esteve comigo de uma maneira muito natural. desde novo carrego a curiosidade no olhar. via beleza no ‘estranho’, no cotidiano… mas, foi durante as aulas de arte do colégio onde coloquei em prática minhas primeiras experiências com a câmera, e tudo foi evoluindo de forma orgânica. comecei a entender a fotografia além do registro, como um meio de expressão. então, pra mim ela virou um suporte para o meu comunicar.

‍lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

conte dos desafios e dos dilemas que você, aos 19 anos, sofre num meio fotográfico como o de são paulo.

 

ls - são paulo é tanto o centro das oportunidades quanto o mar da competição. para não entrar em conflito com a pulsação constante da cidade, gosto de produzir meu material de forma espontânea, dentro do meu tempo, registrando as experiencias e pessoas que conheço. meu maior intuito ultimamente é produzir de maneira saudável, olhando os demais como inspiração e não como concorrência.

‍‍lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

por falar em são paulo, o que te encanta na cidade? o que te amedronta?

 

ls - acho incrível como são paulo abriga um pouco do brasil inteiro. podemos conhecer pessoas de todos lugares por aqui. e essa efervescência cultural, misturada ao anonimato que as megalópoles cedem a quem nelas habita, faz com que muitas pessoas ajam com autenticidade e liberdade. é isso que gosto de captar. de fato, são paulo está muito presente no meu trabalho atual. ainda assim, não acredito que passarei toda minha vida por aqui. em algum momento buscarei a calma que são paulo não me proporciona.

‍lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

vejo a sua obra como uma ode ao jovem... ao ser jovem. e, por segundos, me vejo na puberdade de novo. pelo comportamento, pelo erotismo, pelas pulsões, não consigo não comparar ao ryan mcginley com o “the kids were alright”. você conhece o fotógrafo?

 

ls - ‘ode à juventude’: que maneira linda de descrever o meu trabalho. é interessante por que minha obra é um reflexo do momento de vida pelo qual estou passando. gosto de retratar pessoas com quem eu tenha afinidade, gente com quem me identifico e admiro. talvez, esse ‘pulsar’ esteja presente justamente por capturar o que admiro num ato espontâneo. fico muito feliz em ser associado ao ryan, gosto muito do seu trabalho.

‍lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

o ryan começou a fotografar a série com os mesmos 19 anos. talvez essa seja uma das razões pelas quais eu associe os dois. você acredita que a idade pode funcionar como discurso? por exemplo, por você ter um olhar “mais puro” em comparação às convenções que os fotógrafos que começam a fotografar com mais idade ou aos que fotografam à mais tempo lidam?

ls - imagino que a idade tenha sim certa influencia sobre o resultado. e não só porque não sou limitado pelas convenções do que é ‘bonito’/’correto’, mas porque a juventude é, em si, a fase do experimentar, então tanto o que registro como a maneira que registro acabam carregando um esse ar.

‍lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

assim como mcginley, você fotografa fashion. conta pra gente como a moda influencia a sua obra?

ls - a moda permite e cede espaço para a ousadia que o convencional apaga. eu acho lindo registrar os 'personagens' que nascem desse processo. de qualquer forma, acho importante ressaltar que o mundo fashion que é reproduzido no meu trabalho não é o da haute-couture, faço registro de um vestuário urbano, descontraído, captando geralmente marcas pequenas e locais que são usadas (e feitas) pelas pessoas com as quais convivo.

e a fotografia analógica, como surgiu em sua vida? por que você opta pelo suporte em contraposição ao digital?

 

ls - não sei se posso dizer que o processo analógico se contrapõem completamente ao digital (já que hoje em dia tudo acaba sendo digitalizado quando divulgado), mas ele carrega sim a supresa, o mistério e a espera que o digital não proporciona. com o analógico a instantaneidade das coisas se apazigua, todo o processo envolvido no revelar da foto faz com que as coisas se perpetuem por um período maior. 

agora com você: cite 3 fotógrafos que mudaram a sua visão e a sua vida.

 

ls - derek fernandes, lukaz wierbowski e yatender.

‍‍‍lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

‍‍‍lucas sant'ana, sem título, são paulo, 2017. © lucas sant'ana

autor

Bruno Machado

prefere não queimar o próprio filme.

Publicações relacionadas

JUVENILIA

como a fotografia ajuda lucas sant'ana a entender o que o cerca. embarque conosco num hino ao jovem, ao ser-jovem.

MORO NO RIO

em um vai-e-vem entre o brasil e os eua, guilherme machado discute sobre as fortunas da fotografia e as emoções que a permeiam seus ensaios.

ODE À IMPERFEIÇÃO

um flanêur, um gonzo. “the last-man standing after an all-night drinking marathon”. e eis sabi wabi.

ON THE ROAD

acompanhe carolina e isabela amorim em uma aventura na chapada dos veadeiros.

VIAGEM NO TEMPO E NO ESPAÇO DO IMAGINÁRIO

o eduardo magalhães pescou fotografias. e hoje as traz, frescas, à nossa rede. com vocês, o marujo eduardo e o seu diário de bordo.