robert adams, burning oil sludge, colorado, 1973-1974. © robert adams

WHY PEOPLE PHOTOGRAPH

(atenção, este artigo possui trechos em inglês) 

no mês de fevereiro, comprei o “why people photograph”,  de robert adams. ao decorrer da vida, percebi que a visão sempre coordenou escolhas pessoais. desde discos a livros, eu julgo pela capa. e a capa deste, especialmente, me surpreendeu. creme, com uma fotografia monocromática, sutil. o próprio título me fez questionar, ‘por que as pessoas fotografam?’.'por que eu fotografo?'. encucado com tais perguntas, comecei a pesquisar sobre a obra e sobre o autor, robert adams.  convido-os, então, a acompanhar o que descobri sobre a fotografia e sobre mim. 

ao som de america, "horse with no name”, pesquiso. robert adams nasce em 08 de maio de 1937, em nova jérsei, eua. em segundos, descubro que adams tornou-se ph.d. em ingles (isto, posteriormente, explica o prazer em ler as 182 páginas da obra, e o porque eu não ouso traduzir as citações de um ph.d), e, apenas em 1963, aos 26, tornou-se fotógrafo. durante os sixties, o autor dividiu-se entre o colorado college, onde lecionava ingles, e os laboratórios, onde revelava os negativos. em 1967, enfim reduziu em 2/3 os períodos como professor para desenvolver-se na fotografia. durante este processo, adams dedicou-se a fotografar a alteração das paisagens do american west, de acordo com o boom dos suburbs de colorado e de denver. 

a rolleiflex proporcionou um bônus ao fotógrafo: documentar com agilidade a enorme devastação que o circundava. eram 12 exposições por rolo versus 01 por folha, da câmera 4x5 que utilizava em 1965, a qual ainda exigia tripé. o formato 6x6 logo destacou-se para enquadrar o tema, árido, elegido por robert, lhe proporcionando praticidade. entre 1968 e 1974 adams fotografou o que emergiria como “the new west” (1974) e “denver” (1977), séries que percorreram o território estadunidense, de leste à oeste, e espalharam-se pelo globo.

robert adams, colorado springs, colorado, 1968. © robert adams

agora que compreendemos o background do autor, podemos discutir sobre a sua obra. publicado em 1994 pela aperture, “why people photograph” possui 182 páginas que reúnem ensaios sobre a fotografia. adams divide o texto em 03 seções: “what can help” - onde inclui capítulos como: ‘colleagues’, ‘humour’, ‘money’ e ‘dogs’“examples of success”, onde destaca a obra de ansel adams, dorothea lange, eugène atget e susan meiselas, e “working conditions”, onde discute as condições do meio nos séculos xix e xx.

a seguir, destacarei quotes destas seções que me surpreenderam. e, à partir destes trechos, poderemos imergir na obra, combinado?

começaremos por ‘colleagues’:

“your own photography is never enough. every photographer who has lasted has depended on other people’s pictures too – photographs may be public or private, serious or funny, but that carry with them a reminder of community.”

aqui, o autor destaca a importância da fotografia para a fotografia. como um ciclo, onde uma imagem influi sobre a próxima, ad infinitum. e isto, nos faz refletir sobre o papel comunitário do meio.

robert adams, longmont, colorado, 1979. © robert adams

“each photograph that works is a revelation to its supposed creator. yes, photographers do position theirselves to take advantage of good fortune, sensing for instance, when to stop the car and walk, but this is only the beggining.”

este, especificamente, foi um dos ‘quotes’ que mais me brilharam aos olhos. aqui, adams traduz uma emoção que me (per)segue, onde quer que eu esteja. quando a fotografia tornou-se uma prática diária, notei que cenas extraordinárias aconteciam incessantemente. você pode estar em ipanema, ou em bangladesh (claro que, em bangladesh, você vivenciaria um boom de aromas, cores e sons, o que, consequentemente, o faria fotografar mais). porém, de acordo com sua prática, você começa a - inconscientemente - posicionar-se à favor de si mesmo. a entender o que você busca em imagens.

e assim, as mesmas começam a acontecer. como um milagre, ali, ‘in a blink of an eye’. está aqui a dúvida entre seguir na visconde de pirajá ou dobrar na farme de amoedo. você nunca saberá o porque, mas uma escolha lhe dará cem fotografias. ou zero. no entanto, o que precisamos perceber, está dentro de nós mesmos. siga a sua intuição. esse seria um começo (com o pé direito, diga-se de passagem, para os supersticiosos como eu).

na seção sobre humor, adams busca o cerne do dilema: o que torna uma fotografia engraçada? o que nos faz, rir, de verdade? e, a estas reflexões, o autor responde:

“most photographs that stay funny have, i think, something in common: we can see in them that the subjects know they are part of a joke, and their awareness excuses us from the discomfort that we might otherwise feel in smiling. the pictures are given to us by all parties, and so invite affection and identification rather than ridicule. perhaps, this is why there are more funny pictures in family albums than in art books. at home we know each other, and can run back and forth to be subject and phtographer, easy in each other’s charity.”

para ilustrar o exemplo acima, destaco a série “manélud” do fotógrafo breno rotatori e de sua avó, ludmila sakharoff , que aos 82 anos, pediu ao neto uma câmera para retratar a sua vida. breno a presenteou com uma compacta dos 90’s e os dois passaram a registrar os mesmos momentos, cada qual de seu ponto de vista. confira a série na revista zum. 

por estas e outras reflexões, você deveria ter o “why people photograph” em sua estante. para isto, basta um click, e graças a livraria cultura, você pode tê-lo!

e você, por que fotografa?

autor

Bruno Machado

prefere não queimar o próprio filme.

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READ THE BOOK. THE ONLY BOOK. THE BOOK OF GOD.

não recomendaremos o "universo em desencanto", mas, assim como tim maia, diremos o livro que vocês deveriam ler.